A cerimônia anual em memória aos mortos da Formação “Barak” (188) ocorreu na semana passada (quarta-feira) no Centro de Memória, Homenagem e Bravura da brigada, liderada pelo comandante do Comando do Norte, general de divisão Rafi Milo, e com a presença do comandante da Formação “Ga’ash” (36), general de brigada Yiftach Norkin, do oficial-chefe do Corpo de Blindados, general de brigada Or Volozhinsky, e do comandante da Formação “Barak” (188), coronel Miki Sharvit, além de famílias enlutadas, feridos da brigada e comandantes e soldados da ativa e veteranos da formação.

Em nome das famílias enlutadas, falou Gali Sidi, esposa do falecido tenente-coronel Oren Sidi, comandante do 74º Batalhão, que morreu no cumprimento do dever em março de 2007. “Estou diante de vocês esta noite representando a família mais dolorosa, mais orgulhosa e mais forte que existe: a família enlutada da Formação Barak”, afirmou. “Uma família à qual nenhum de nós escolheu pertencer. Uma família forjada em uma aliança eterna, em um único instante no qual o nosso mundo desmoronou e mudou para sempre”.

“Dentro desse abismo, descobrimos algo extraordinário: descobrimos que não estamos sós”, enfatizou. “A Brigada 188 não é apenas um número, não é apenas um símbolo de esteiras e aço — é um lar, é uma família inteira que abraça, que vem ao encontro, que nos ergue nos momentos mais sombrios. As famílias veteranas, aquelas que carregam a dor há décadas — desde a Guerra da Paz da Galileia, passando pelas guerras de Israel e por outras operações vividas pelo país —, estendem as mãos às famílias novas, àquelas que entraram no círculo da dor recentemente. Essa mão que afaga, que sussurra, sem muitas palavras: ‘estamos com vocês, nós entendemos’, é o pilar que nos sustenta”.

“Estamos reunidos hoje aqui no Centro de Memória e Homenagem com reverência e temor”, declarou o comandante do Comando do Norte, general de divisão Rafi Milo. “Aqui, sobre o solo basáltico do Golã, no lugar onde o legado da Brigada 188 é escrito e preservado — curvamos a cabeça em memória dos 368 combatentes da brigada que caíram nas guerras de Israel e durante o serviço militar”.

“Há três anos, na manhã do Shabat de Simchat Torá, 7 de outubro, nós falhamos em defender os moradores do entorno de Gaza”, sentenciou. “Combatentes e comandantes da brigada partiram prontamente, pegaram tanques de Tze’elim e saíram para lutar na tentativa de conter e deter o ataque do Hamas nas comunidades do entorno. Lutaram com heroísmo, mas já era tarde demais. O preço pago foi muito alto”.

“Queridas famílias, desde a eclosão da guerra não nos foi possível nos reunirmos aqui como estamos fazendo hoje”, prosseguiu. “Três anos em que a brigada continuou lutando, três anos nos quais novos nomes foram adicionados ao mural da memória. O legado de seus entes queridos não é apenas uma lembrança do passado — é uma bússola. O nosso vínculo com vocês, as famílias, é um laço sagrado e obrigatório, transmitido de cada comandante a seus comandados, permanecendo para sempre como parte inseparável da identidade da brigada”.

“A missão ainda não foi concluída”, afirmou. “Ainda existem desafios e ameaças, mas, mesmo após três anos de guerra, o nosso espírito segue inabalável. A nossa crença na retidão do nosso caminho é firme, a nossa certeza de que não temos outra terra, de que esta é a nossa missão, a missão desta geração — tal como foi outrora —, a geração da vitória. Nós continuaremos a guardar e proteger, a lutar e a vencer, pelo tempo que for necessário, como no passado, também hoje, sob o espírito da Brigada 188. No espírito e no legado dos mortos em combate da brigada. Queridas famílias, vocês estarão em nossos corações para sempre”.

“Nos últimos três anos, a brigada tem lutado continuamente na vanguarda das FDI em todas as frentes”, declarou o comandante da Formação “Barak” (188), coronel Miki Sharvit. “Nestes dias, os batalhões da brigada encontram-se nas profundezas do Líbano e dão continuidade às missões operacionais com constância e determinação, movidos por um profundo senso de responsabilidade pela defesa e pela segurança do país”.

“Queridas e amadas famílias enlutadas, é fundamental para nós recordar os seus filhos, os heróicos e valorosos mortos da brigada, e absorver deles o senso de missão, o espírito e o companheirismo, a bravura e a disposição de dar a própria vida pelo objetivo maior da segurança de nosso povo e de nossa terra”, afirmou. “Em 7 de outubro de 1973, todo o comando da brigada tombou na batalha de Nafakh. Em pouco tempo, caíram o comandante da brigada, coronel Yitzhak Ben Shoham, o vice-comandante da brigada, tenente-coronel David Israeli, em memória abençoada, e o oficial de operações, major Benny Katzin. Ainda como recruta, David escreveu um documento extraordinário intitulado ‘O Testamento do Guerreiro’”.

“Ele encerrou o texto da seguinte maneira: ‘Mas se eu porventura não voltar, e não puder contemplar a vitória, não chorem por mim’”, leu. “‘Na mesma medida da eternidade em que eu permanecer em silêncio, será a grandeza da minha alegria, pois saberei que não jazi em vão… pois esta terá sido a minha parte, ao sacrificar o meu sangue, o meu corpo, sobre o altar da minha terra e do meu solo, do meu povo e da minha família. Mas se porventura o inimigo não for derrotado, não descansarei e não me calarei. Até que se levante o meu povo, o povo de Israel, e redima a sua terra, o abrigo de sua segurança sobre a terra. Então e somente então eu descansarei, e o povo de Israel habitará em segurança’”.

“Os mortos em combate nos deixaram um testamento precioso: sermos dignos e unidos, e buscarmos juntos a vitória sobre qualquer inimigo a fim de permitir que o povo de Israel habite com segurança em sua terra, sua pátria”.